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GLICERINA           

 

Os termos glicerina e glicerol são utilizados indistintamente para se referir ao composto que tem o nome oficial de propanotriol ou propano1-2-3diol. O Glicerol é produzido por via química ou fermentativa, e seus processos são de baixa complexidade tecnológica.

 

O glicerol está presente em todos os óleos e gorduras de origem animal e vegetal ligado a ácidos graxos como os ácidos estereático, oléico, palmítico e láurico para formar a molécula de triacilglicerol.

 

A glicerina bruta é um líquido viscoso de cor castanho claro (a chamada loura, loira,) inodoro, higroscópico e adocicado.

A molécula de sua formação é:

 

 

Que é a Glicerina?

É um lipídio simples formado por uma molécula de propanotriol na qual se unem por enlaces lipídicos três moléculas de ácidos graxos; os grupos de hidróxidos (OH-) são os responsáveis pela sua solubilidade na água.

Sendo higroscópico (absorve água do ar); é derretida a 17.8° C, seu ponto de ebulição com decomposição é de 290° C, e pode ser diluído com água e etanol. A glicerina pode ser queimada, tendo que realizar esta combustão em temperatura acima do seu ponto de  ebulição para não emitir gases tóxicos (acroleina), os quais são formados entre 200º C e 300° C.

 

Histórico:

Por volta de 600 a.C, os fenícios divulgaram um conhecimento alquimista de como se fazer sabão, que alguns séculos mais tarde, teve sua divulgação via Marselha dentro dos costumes gauleses e germânicos. Nenhuma referência antiga pode ser encontrada com os nomes "glicerina" ou "glicerol", pois esses nomes datam do século XX unicamente. No período da Renascença da Itália, referências de como se fazer sabão podem ser encontradas pela Europa Central e regiões da Alemanha nos séculos seguintes. Por volta do século XIV, no reinado de Carlos I, a coroa Inglesa monopolizava o comércio e fabricação de sabão e, até mesmo, cobrava uma taxa das pessoas que possuíam uma preferência por "limpeza". No século seguinte, este conhecimento foi levado da alquimia à química, um exemplo histórico está em C.G. Geoffrey (1741), que intensificou seus estudos acerca da natureza das substâncias gordurosas, desencadeando a descoberta da glicerina. Menos de 40 anos depois, o químico Sueco Carl Wilhelm Scheele foi o primeiro a isolar esse composto, em 1779, pelo aquecimento de uma mistura de litargírio (PbO) com óleo de oliva. Foi ele quem formalizou a descoberta de que os óleos e gorduras naturais contém o que chamamos hoje de glicerina. Na época, ele a batizou de "o doce princípio das gorduras". (Extraído da Wikipédia)

Especificações:

A glicerina com que trabalhamos e da qual iremos expor nesta página é a derivada da produção de Biodiesel, 100% vegetal  preponderantemente,  ou com mínimo de 90% de base vegetal quando com participação de gordura animal no processo de transesterificação.

 

Características fisico-químicas:

 

CARACTERÍSTICAS CONTROLADAS ESPECIFICAÇÃO
Aspecto Líquido castanho
Teor de glicerol Mínimo 80,0 %
Umidade máx 10%
Densidade a 25ºC Mínimo 1,2780 g/ cm3
Cinzas máx. 10,0%
Teor de cloretos Máximo 10,0%
pH 4,5 - 8,0
Densidade (20º C) 1 a 1,5
Metanol max 0,01

 

Aplicações:

O uso até o presente, (era produzida praticamente na sua totalidade a partir de gorduras animais) era basicamente como umectante e estabilizante para conservar bebidas e alimentos tais como refrigerantes, balas, bolos, pastas de queijo e carne, e começa a ser utilizada em preparações de molho para salada, coberturas de doces e sobremesas geladas; como emulsificante e emoliente na indústria cosmética (sabões, loções corporais, enxágües bucais, etc),  na industria fumageira para tornar as fibras do fumo mais resistentes e evitar quebras,  em preparações farmacêuticas na composição de cápsulas, supositórios, anestésicos, xaropes e emolientes para cremes e pomadas, antibióticos e anti-sépticos (neste caso com purificação prévia própria para uso farmacêutico). Também como protetor contra congelamento de glóbulos vermelhos em plasma humano, esperma, córneas e outros tecidos humanos em laboratórios; assim como em tintas gráficas, resinas de tintas, misturas anticongelantes; e como matéria prima para a produção da nitroglicerina.

 

Com a oferta crescente de glicerina de origem vegetal surgiram inúmeros estudos procurando novas possibilidades de uso, destas possibilidades mencionamos as 3 (três) principais já em uso e que trarão relevantes benefícios além de aumentar o consumo de forma gradual:

 

1) Em rações animais, todos os estudos confirmam o aproveitamento importante com esse fim pelo alto conteúdo calórico. Por seu sabor adocicado é aceito naturalmente e é facilmente miscível com outros elementos da ração (farelos, grãos moídos, etc). Já está sendo utilizada em vários países da Europa com este fim e o rendimento (carcaça/carne) assim como na qualidade e sabor em suínos e bovinos é importante.

 

2) Biodigestão anaeróbica, por este processo poderá se incrementar o uso em valores expressivos, diminuindo ao mesmo tempo um dos graves problemas da humanidade, o que fazer com seu lixo. A adição de 5% a 8% de glicerina no lixo orgânico (em aterro sanitário adequado) acelera o processo de decomposição com a geração de biogás e por conseqüência de energia.

 

3) Outro mercado muito importante, em estudo para desenvolvimento, é a aplicação da glicerina na síntese de moléculas de alto valor agregado. Entre estas está o PDO (propanodiol), a partir de fermentação do glicerol, para uso em formação de plásticos. Poderá ser transformada na matéria prima no futuro para fermentações de: 1,3 propanodiol e dihidroxiacetona.