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                                                                CLIMA:

                      

FINALMENTE UMA AVALIAÇÃO LÓGICA

Há alguns anos o assunto Biocombustíveis/Alimentos tem sido mantido por insistentes relatórios e declarações sendo, na sua esmagadora maioria, saídas de gabinetes mantidos com muito dinheiro proveniente de governos, ou seja, do povo mundial.

Esses relatórios tem sido pautados pelo ataque insistente aos biocombustíveis determinando que eles são os causadores, ou pelo menos, os motivadores da fome mundial.

Desde o primeiro momento nos manifestamos claramente contra o que consideramos erros de condução do processo de biocombustíveis e hoje verificamos que não somente tínhamos razão como aqueles que conduzem os destinos do mundo também começam a pensar da mesma forma, e insistimos sempre que não são eles os causadores de nada por si próprios.

Nesta semana um comunicado do FMI apoiado em relatórios do Banco Mundial informam ao mundo que, viemos falando isso há 4 anos, o direcionamento de críticas ao biocombustíveis deverá ser feita àqueles que realmente podem de alguma forma comprometer o abastecimento de alimentos no mundo.

Sempre os relatórios da FAO/ONU foram generalistas e apresentados ao mundo como se todos os biocombustíveis fossem, e só eles, os motivadores da alta de preços em commodities e alimentos.

Disso, os políticos aproveitaram, alguns, para fixar suas críticas e outros, para exaltar suas virtudes ante seus eleitores e como forma de estar sempre na mídia, na maioria das vezes desconhecendo também as reais situações ou pelo menos fazendo pouca coisa delas.

Até agora desconheceram que as quebras de safras provocadas por variações climáticas foram determinantes em aumentar preços e diminuir ofertas de alimentos com maior importância na nutrição mundial que as oleaginosas, ou mesmo das transformáveis em etanol.

O arroz teve alta de 140% nos preços e diminuição de oferta em 48% no último ano, o trigo 120% de aumento e diminuição de 88% na oferta, isso para mencionar as 2 principais culturas de consumo alimentar do mundo.

Os programas de biocombustíveis, insistimos, evoluíram porque tem grande base POLÍTICA fundamentalmente, e embora os consideremos necessários pela necessidade de preservação do planeta tão contaminado pela poluição, pensamos que não foram esses os reais motivos dos incentivos outorgados em vários países europeus e principalmente USA.

Tanto que sua implantação nesses mesmos Países, só foi possível com pesados subsídios em razão da escolha errada da matriz de produção e pela SUBSTITUIÇÃO de áreas de culturas alimentícias para desenvolvimento de oleaginosas com aproveitamento alimentar somente do excedente de óleo.

Um dos casos objetivamente citado neste relatório FMI/Banco Mundial é o do etanol americano produzido a partir de milho e que somente decolou ao custo de pesados subsídios internos e ainda, às custas de aumentos do preço do milho para as populações carentes do mundo que tem esse cereal como base alimentar. Para os políticos de lá é correto mas politicamente incoerente com o mundo e com seus próprios discursos.

Também por problemas fornecidos por políticos altamente capacitados, o mundo viu o Petróleo, mesmo em detrimento de novas descobertas de reservas importantes e do aumento de  produção, aumentar seus preços em mais de 120% nos últimos 2 anos.

O etanol originado da cana (O Brasil é o principal produtor mundial) não fez o açúcar acompanhar a alta de outras commodities, por tanto não pode ser comparado ao de milho e nem criticada sua produção, que não tem subsídios e entrou em mínimas áreas de outras culturas.

Do BIODIESEL foi criticada, seguindo a mesma linha de raciocínio, a política de implantação produzida a partir de Canola na Europa. Não foi dito concretamente, para não agredir aliados e fontes pagadoras, que toda a área plantada com esta oleaginosa naquele continente foi tomada de culturas alimentícias e que colaboraram em muito com a diminuição de oferta de alimentos.

Ou seja, finalmente começam a surgir no horizonte estudos mais concretos de que REALMENTE os BIOCOMBUSTÍVEIS nada tem a ver a fome no mundo, e sim, com relação a eles, principalmente as escolhas políticas, com substituição de culturas agrícolas alimentares e pouco viáveis economicamente.

Ficou, apenas implícito, que a SOJA é a matriz de produção de biocombustíveis menos inviável no presente momento para sua produção, seja pelo aproveitamento INTEGRAL com a produção complementar de proteínas, ou seja pelo custo/benefício na produção final, e que, subsídios pesados e legislações de proteção como as européias e americanas somente pioram as situações que eles próprios dizem ao mundo existir e da qual se eximem de responsabilidade.

Áreas vagas no mundo para aumento da oferta de alimentos existem sem necessidades de agressões ao meio ambiente, o que falta são políticas corretas para o incentivo, e PRINCIPALMENTE igualdade de condições de concorrência internacional para os Países que têm essas condições, casos da América Latina e África.

Não é possível que estes países enfrentem barreiras para exportar seus produtos para os consumidores americanos e europeus para, “protegendo” suas produções a custos muito maiores mas deixando sem a mesma proteção seu povo consumidor, tirar condições de aumento de produção daqueles que podem incrementar suas ofertas.

Insistimos;

.A fome mundial, embora lamentavelmente ainda exista em pleno século XXI, é menor que a existente há duas e três décadas atrás quando não havia biocombustíveis. E está fixada preponderamente em Países que foram colônias de potencias estrangeiras ou governados por ditaduras sustentadas por estas.

.Os preços de alimentos não foram aumentados pelos biocombustíveis e sim pela entrada nos últimos anos de um contingente de mais de 1 bilhão de pessoas carentes ao mundo de consumo, principalmente asiáticos em conjunto com os problemas de produção apontados anteriormente e ainda pela substituição de culturas agrícolas em países “desenvolvidos”.

Nada está perdido até porque agora a cúpula econômica e política mundial anuncia grande investimento em áreas carentes principalmente da África e Ásia para donativos de alimentos e assessoramento de produção. Ou seja finalmente outra boa conclusão, não são os discursos que matam a fome, é o auxilio coerente com informação, preparo e treinamento para que as populações carentes possam ter acesso à produção e finalmente à alimentação indispensável.

 

 

ALERTA: NÃO CONSUMA PRODUTOS AGRÍCOLAS ORIUNDOS DE ÁREAS DE DESMATAMENTO