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CONSOLIDAÇÃO DA CULTURA SOJA

 

O século XXI está sendo o século da consolidação de alternativas renováveis para os combustíveis fósseis em uso até o presente e que tem seu período de uso limitado no tempo.

 

O próprio desvio das condições climáticas e os últimos relatórios sobre o futuro das condições globais para os próximos anos tem sido um forte incentivador dessa busca por substitutos.

A Soja tem se mostrado a coqueluche do momento  para o desenvolvimento de biodiesel por ter uma estrutura mundial de produção de óleo muito bem estruturada, eficiente e de razoável custo baixo.

 

Isto vem gerando principalmente no Brasil uma série de investimentos incentivados pelo governo que provocaram uma crescente onda de projetos direcionados para esse tipo de produção.

 

Há uma infinidade de estudos e desenvolvimento de projetos de indústrias com este propósito, no RS temos conhecimento de 21 novas indústrias, no PR 23, MG também 23, em GO haveria 70, em SP outros tantos assim como em outros Estados.

Esta corrida lembra o efeito provocado pelo Pró-alcool de finais da década de 70, inícios da década de 80

 

Naquela época tivemos, com o forte incentivo de governo, um direcionamento da frota automotriz do País para esse consumo chegando até o patamar de venda de 90% de todos os automóveis no País com motor a álcool.

 

Multiplicaram-se as construções de usinas por todo o País. Muitas, desativadas após pouca produção, estão abandonadas por falta de interesse e de compradores.

 

Que a memória do povo seja curta podemos entender, a dos empresários, não.

 

Hoje voltamos a ter forte incentivo na produção de álcool, desta vez com maior e melhor tecnologia e necessidades mais concretas, com apoio e suporte internacionais crescentes que farão com que finalmente a cultura da cana para este fim seja consolidada assim como a indústria derivada, mesmo assim superamos com produção o consumo e começam os primeiros indícios de que só o mercado externo pode nos acudir comprando, para isso precisamos que os governos da Europa e outros nos outorguem benefícios.

 

Nova falta de planejamento estratégico prévio, mais uma vez a política atropelando a realidade.

 

Entretanto se analisarmos os anos transcorridos entre o lançamento do Pró-alcool e o atual momento veremos que com os câmbios de governo foram se alternando as políticas e os focos de cada um, modificando em cada gestão a forma e incentivos com que esta cultura era tratada.

Com isso muitas indústrias, cooperativas e comerciantes quebraram e ficaram pelo caminho com o aumento considerável de trabalhadores que ficaram sem emprego e contribuíram em muito para o aumento do êxodo rural.

 

Hoje temos o biodiesel como realidade de curto prazo pela NECESSIDADE imperiosa do País de diminuir sua dependência externa na geração de energia, redução de contas de importação de petróleo e ainda a geração de recursos importantes na exportação de excedentes.

 

Assim como, também, degrau para alavancar o aumento de influencia política do governo e em segundo lugar do País no cenário internacional.

 

A importância da participação e necessidade de prestigio internacional fica acentuada e aprovada quando vemos, com grande preocupação, o avanço de ideologias calçadas em suporte econômico sustentada por riquezas naturais, caso da Venezuela e Bolívia na América Latina, ou pela força econômica de consumo, caso USA no Meio Oriente e Rússia no leste Europeu.

 

Quando manifestamos, em meados do ano 2006, que apenas o Biodiesel não era a solução para a Agricultura brasileira (que tantas críticas nos fizerem chegar) pensamos claramente que só ações integradas, que contemplem o uso integral de uma cultura agrícola pode ter desenvolvimento adequado e servir a quem realmente precisa que são os agricultores, as agroindústrias derivadas e a população em geral.

 

Praticamente todos os projetos de que temos conhecimento são direcionados diretamente e unicamente para esse fim, o biocombustível.

 

Com isso de alguma forma são desprezados os restantes 72% do produto (caso da soja) considerando que

“de alguma forma o mercado há de absorver”.

 

Em 1º de maio de 2007 a ONU emitiu um relatório (com o qual discordamos) no qual considera que o a produção de biocombustíveis pode ser um ameaça a produção de alimentos.

 

Nas últimas semanas, mais uma confirmação, artigos das Revistas Época, Veja, Valor Econômico e Folha de São Paulo relatam que as indústrias de Goiás, Mato Groso e Mato Grosso do Sul já estão enfrentando problemas sérios com a estocagem de farelo e parando a produção por 10 dias cada mês para tentar diminuir o impacto (Valor Econômico 16/04/2007).

 

Sem dúvida a euforia do biocombustível, falta de planejamento e outros critérios, os fez produzir sem pensar nos problemas que no futuro imediato trariam tantas novas indústrias não integradas e avaliadas para aproveitamento integral de produtos.

 

A situação como se apresenta, confirma nossa opinião, manifestada à época, com a qual discutimos tanto com algumas autoridades e pessoas representativas do setor, e que mesmo com as críticas recebemos e mantivemos como pensamento, hoje os fatos que apenas estão começando nos dão a razão.

 

Na área de alimentos de soja há ainda muito a ser produzido e desenvolvido, vemos isso em países que não produzem grãos, mas que exportam (inclusive ao Brasil-2º produtor mundial) produtos derivados que poderiam ser produzidos e exportados por nós.

 

Ainda há tempo para consertarmos isto, até esta mais propicio agora, com uma integração maior ao Biodiesel aproveitando os excessos de matérias primas, e, fundamentalmente, fazendo da soja a mais rentável das matérias primas de produção de biodiesel.

 

Essa integração poderá, ainda, trazer grandes benefícios ao meio ambiente, e principalmente para a melhora de preços e qualidade nutricional das populações carentes.

 

 

AGRICULTURA FORTE É FATOR IMPRESCINDÍVEL PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL E NACIONAL

 

PAÍS DESENVOLVIDO EXPORTA PRODUTOS ELABORADOS, NÃO MATÉRIAS PRIMAS.

 

Artigo publicado no site: www.paginarural.com.br

BIODIESEL E ALIMENTOS: Fundamentais e necessariamente compatíveis.

Por Mario B Rivas*

Os biocombustíveis são processos irreversíveis, menos pela determinação da ação das indústrias e governos; e mais, bem mais, pela obrigação que a natureza nos impôs após anos de ataques irresponsáveis ao meio ambiente. Os relatórios do futuro das condições climáticas globais assim como a limitação do prazo de uso dos estoques de combustível fóssil, fazem indispensável todo desenvolvimento possível de alternativas renováveis.

Isso criou uma celeuma internacional em busca de alternativas confiáveis, levando países subdesenvolvidos como o nosso a se apressar; até pela grande possibilidade de ter um lugar de destaque no cenário político internacional como produtor de biocombustíveis. Essa necessidade fez com que houvesse mecanismos de incentivo econômico para esse desenvolvimento, criando uma tresloucada corrida para criar e implantar novas indústrias de etanol e biodiesel.

Os produtores de petróleo ameaçam diminuir suas produções se houver crescimento de oferta concorrente, por se sentirem ameaçados, já que aproveitam da sua exclusividade para benefício político dos dirigentes desses países. Exemplos desse uso há de todos os tipos: Venezuela, Arábia Saudita, Iran, Kuwait, assim como a cobiça dessa vantagem, levou os poderosos à guerra do Iraque.

No Brasil o álcool depois de anos de sofrimento de agricultores, industriais, pequenos e médios comerciantes, e principalmente, consumidores de automóveis movidos por este combustível (beneficiados pela política do pró-alcool - quem não lembra daquela época), pode se considerar em fase final de consolidação; hoje é real, com maior e melhor tecnologia, com o mundo exigindo mais e melhor desenvolvimento e principalmente com cuidados e planejamento para não agredir mais áreas de preservação e tratamento e/ou reaproveitamento de rejeitos industriais.

O caso do Biodiesel nos faz voltar a pensar no século XX, no Pró-alcool e suas conseqüências, e por isso, devemos avaliar com maior calma e concentração nos possíveis resultados, sejam eles econômicos, sociais e/ou ecológicos.

A ONU emitiu relatório onde diz que os biocombustíveis poderão diminuir ou prejudicar a oferta de alimentos no mundo, considero que o mais provável e que seja exatamente o contrário. Desde que o planejamento estratégico seja direcionado nesse sentido e que a política não continue atropelando a realidade.

Observamos uma seqüência de investimentos para direcionar os plantios de oleaginosas em prol da produtividade de óleo como base de biodiesel. Entretanto, a maioria levando em conta apenas aspectos diretos de produção de óleo sem tomar em conta os retornos de investimento nem da produção integralizada das culturas.

Considero a soja a grande alternativa para a produção de biodiesel, pela possibilidade de objetivo aproveitamento integral nas regiões adaptadas para alta produtividade desta cultura. Especificamente Sul, Sudeste, Centro e Centro Oeste do Brasil. Com alternativa de produção de outras culturas compatíveis em tempo de plantio e colheita como canola, milho e girassol.

Lamentavelmente os projetos e indústrias já em funcionamento foram direcionados apenas e somente para a produção de óleo, se aproveitando de uma estruturação agrícola, de produção e escoamento eficiente e de custo razoável. 

Sem considerarem o aproveitamento integral do grão, partindo do pressuposto que o farelo e casca resultante, o mercado haveria de absorver; sem considerar que o aumento de oferta provocaria um gargalo estreito e inviável, uma vez que o aumento de consumo como ração animal precisa de tempo, consumidores e investimentos para acontecer.

Essa é a realidade, que atropelando a necessidade política, já provoca travamento de produção pelo aumento exagerado dos estoques de farelo nas indústrias do centro, norte e nordeste do País.

Ao mesmo tempo em que vemos investimentos crescentes nessa área, sabendo que são necessários recursos para desenvolvimento de novos produtos principalmente alimentícios, vemos diminuir, consideravelmente nos últimos anos, os investimentos oficiais em órgãos de pesquisa e desenvolvimento como a Embrapa. A partir dela, orgulho nacional pode ser alavancada uma seqüência de produção a partir do campo, passando pelo transporte e estocagem, até a chegada na mesa do consumidor com melhores custos e rentabilidade real para todos os elos da cadeia produtiva e de consumo.

Há desenvolvimento, mesmo com os limitados investimentos, de variedades de soja com maiores rendimentos em óleo e valores protéicos, assim como também, desenvolvimento de pesquisas em outras oleaginosas como girassol, mamona, pinhão manso, palma, etc.

Na área de alimentos de soja há ainda muito a ser produzido e desenvolvido, temos exemplos claros em países, que sem produzir grãos ou com produção insuficiente, exportam (inclusive para o Brasil-2º produtor mundial) produtos derivados que poderiam ser produzidos e exportados por nós.

Temos tempo para consertar esta situação, está mais propicio agora, com uma integração maior ao Biodiesel aproveitando os excessos de matérias primas, e, fundamentalmente, fazendo da soja a mais rentável das matérias primas de produção de biodiesel.

Dessa forma poderemos deixar de ser os grandes exportadores de matérias primas e alcançar o primeiro mundo em matéria de industrialização e, deixar a meta de ser o celeiro mundial para ser o “grande fornecedor de biocombustíveis e alimentos do mundo globalizado”.

*Consultor Técnico e Comercial de Alimentos de Soja e autor do livro

“Soja Qualidade de Vida e Saúde com Prazer e Sabor” (Editora AGE)